De saída
Apague o amor quando se for.
À tardinha, lá pelas 6 horas, sento na escada e mando beijos para a senhora e os outros.
Na mala trouxe apenas vestidos. […] Sinto-me feminina, poderosa, pronta para os líquidos do amor e da cozinha.
Perde muita vida quem sabe de cor o relógio e o calendário.
Guarde seu coração na gaveta para ler esta carta. Cubra-o com algum bordado inglês feito em linho puro. Seu coração de deusa não merece menos que isso.
A cura do mundo é água com sal: lágrimas, suor e mar.
Só eu cheguei até aqui, Bisa. Porque dancei.
Cristiane Lisbôa, trechos do livro Papel-manteiga para embrulhar segredos: cartas culinárias, Editora Memória Visual.
É fácil entender o medo que temos da solidão. Ou por que aceitamos qualquer companhia.
Encarar-se é o mais cruel dos espelhos. Perceber a única real condição humana, estar pronto para cuidar de si mesmo, é a mais aterradora verdade.
As medidas de segurança dos aviões deveriam ser estendidas para a vida. ”Em caso de emergência, primeiro coloque a máscara em você, depois socorra quem estiver ao seu lado.”
Mas nos ensinaram que isso é egoísmo. Ninguém consegue salvar uma pessoa de um afogamento se também está afundando. E passamos a vida fazendo os outros de boia.
Até o dia em que todos vamos parar no fundo do mar.
Ando sensível demais para assistir isso sem chorar…